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quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Política e internet



As eleições municipais estão próximas e muitos candidatos lançaram mão da internet como palanque para divulgarem suas propostas de governo. Mas essa tão importante ferramenta de comunicação vem causando polêmica.
Entre as restrições impostas pelo TSE aos candidatos durante o periodo de campanha, está o uso da rede mundial de computadores. Ou seja, a campanha partidária deverá se limitar aos sites pessoais dos candidatos e a mídia eletrônica fica proibida de difundir opinião favorável ou contrária a candidato e ainda de dar tratamento diferenciado a eles. Mas os jornais e revistas que têm suas páginas na internet poderão fazê-lo. Estranho. E os blogueiros e tantos outros internautas, como ficam na história?
Quer dizer que a opinião favorável ou contrária a determinado candidato, por exemplo, pode ser publicada num jornal impresso, mas não pode ser reproduzida em um blog? Quanta incoerência! Cercear a liberdade de expressão é censura.
Apesar da legislação eleitoral, está cada vez mais comum encontrar páginas de candidatos em sites de relacionamentos como orkut, facebook, myspace, foruns, blogs, entre outras midias sociais. Vale tudo para atrair simpatizantes e conquistar o eleitorado, garantindo o tão esperado voto.
Muitos questionam essa prática, mas o fato é que a democracia começa com o acesso à informação. Logo, toda forma de debate é válida. Por que não apresentar propostas e discutir idéias em fóruns e outros sites da internet?
Limitar o acesso à rede mundial de computadores, seja por motivo político ou qualquer outro, significa retroceder no tempo e apagar tantas conquistas da sociedade a partir da democratização da informação.
Não se pode equiparar a internet à TV e ao rádio, que são concessões públicas do governo. Se nesses veículos, a propaganda é gratuita, imagine na internet. A liberdade de ação deveria ser bem maior.
O seu alcance deveria por si só, justificar sua utilização para fins políticos. De todo modo, não serão medidas tolas, que irão restringir o uso da internet.
Talvez por isso, o TSE pretenda revisar a legislação em torno do uso da internet em campanha eleitoral.
Enquanto isso, os internautas continuam a criar sites, blogs ou comunidades pró ou contra candidatos.
É visível que a mudança não está no uso da internet, mas naquilo que se propõe à sociedade como plataforma de governo.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Bicentenário da imprensa brasileira


Este ano a Imprensa Nacional completa duzentos anos de existência e sua história se mistura a do País: com muitas lutas e conquistas. Fundada em maio de 1808, ano em que D. João e a Corte Portuguesa se instalaram no Brasil, fugindo de Napoleão Bonaparte, a Imprensa Régia era uma publicação sujeita a forte censura, sevia como meio de divulgação sobre os feitos do Império e para impedir o aparecimento ou divulgação de qualquer coisa contra o reino, a família e os bons costumes.
No dia 10 de setembro de 1808 foi publicado o primeiro jornal brasileiro oficial: “A Gazeta do Rio de Janeiro”. Uma publicação com notícias sobre a natureza européia, documentos oficiais, as virtudes da família real etc. Havia também jornais não oficiais. “O Correio Brasiliense” ou “Armazém literário”, de Hipólito José da Costa, maçônico foragido que redigia o jornal na Inglaterra e exportava por meio de contrabando para o Brasil, tinha mais de 100 páginas. Era vendido, em média, uma vez por mês.
A Revolução do Porto pôs fim ao absolutismo português e exigiu a volta de D. João VI em 1820. O processo de independência foi acelerado. Um dos maiores exemplos do papel da imprensa na independência foi o “Revérbero Constitucional Fluminense”, escrito por Gonçalves Ledo e Januário da Cunha Barbosa, em setembro de 1821. Em São Paulo, o primeiro jornal impresso só foi surgir em 1823; era o chamado “Farol Paulistano”. O “Diário do Rio de Janeiro” era um jornal um pouco diferente. Ele levava a neutralidade ao extremo.
Após a independência, a imprensa viveu um período de agressões aos jornalistas e muitos tumultos. A aristocracia rural brasileira, liderada por José Bonifácio, perseguia de maneira implacável seus opositores. No entanto, os jornais não davam trégua aos portugueses, embora a Assembléia Constituinte e o imperador fizessem parte do maior palco de atritos. Com o espancamento do jornalista David Pamplona, a situação tornou-se mais grave. D. Pedro I, então, dissolveu a Assembléia Constituinte, dando força à imprensa. Cipriano Barata foi o jornalista que mais se destacou na época, que foi caracterizada pela participação de grandes escritores, dentre eles, alguns dos maiores autores da literatura brasileira.
Nos anos seguintes, surgiram publicações importantes, que fizeram parte da história do Brasil e revolucionaram a imprensa: “O Diário do Rio de Janeiro” (1857), a revista de caricatura “Brasil Ilustrado” (1855), “Revista Ilustrada” (1876), jornal “A República” (1870), “Correio Paulistano”, “A Província de São Paulo” (1889), que passou a se chamar “O Estado de São Paulo” e Gazeta de Notícias (1907), o primeiro jornal editado em cores.
Hoje, o jornalismo está ao alcance de todos, ou quase todos. Jornal, Rádio, TV, Internet. Em tempos dedial-up, speedy, LP, satélite, fibra ótica, entre outras conquistas tecnológicas, o jornalismo assumiu uma escala global. No Brasil, a imprensa ainda caminha em busca do tempo perdido, lutando pela democracia da informação.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Curtas do Jornalismo

Comemorações Dia do Jornalista
Jornalistas de todo o país se mobilizaram pelo centenário da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e o dia da classe, comemorado ontem, dia 7 de abril. A FENAJ e os Sindicatos de Jornalistas lançaram nota oficial alusiva à data, que foi registrada pelo senador Paulo Paim (PT/RS) no plenário do Senado e em diversas casas legislativas estaduais e municipais.
Na nota oficial, a FENAJ e os 31 Sindicatos de Jornalistas defenderam a aprovação de uma nova Lei de Imprensa “em substituição a um dos entulhos da ditadura”, e a realização de uma Conferência Nacional de Comunicação “ampla, democrática, com efetiva interferência da população brasileira”. O documento também ressalta como importantes para os jornalistas “a denúncia do arrocho salarial, do desemprego e da precarização das relações trabalhistas e a reivindicação de melhores condições de trabalho”, a defesa da obrigatoriedade da formação universitária especifica para o exercício da profissão e a constituição de um Conselho Federal dos Jornalistas.

Centro de Cultura e Memória do Jornalismo
Na semana em que se comemora o Dia do Jornalista, a classe será agraciada com um espaço que vai abrigar a história da imprensa no Brasil. Trata-se de um projeto que irá criar no Rio de Janeiro, o Centro de Cultura e Memória do Jornalismo. O evento será lançado amanhã, dia 9, na sede da ABL ( Academia Brasileira de Letras). O espaço deverá contar com um acervo permanente de peças históricas e organizar cursos, seminários e exposições, além de abrigar livraria, café, biblioteca e auditório. O acervo documental incluirá depoimentos de jornalistas, que resgatarão a história do desenvolvimento do jornalismo nacional. Segundo sindicato dos jornalistas do município do Rio, entidade que teve a iniciativa de criar o Centro, inicialmente, ele funcionará em um portal. Na segunda fase, o centro terá sua sede própria aberta ao público.

Semana de festa
O sindicato dos Jornalistas da Bahia realiza até o dia 14 de abril a Semana do Jornalista, em comemoração ao Dia Nacional dos Jornalistas, e ao seu aniversário de 63 anos do Sinjorba, em 14 de abril. Entre as festividades destacam-se eventos com temas relacionados à categoria e à luta pelo respeito à regulamentação profissional, Lei de Imprensa, saúde e previdência social, mercado de trabalho e exposição de imagens. No sábado, dia 12, uma festa dançante marcará as comemorações do Dia do Jornalista e os 63 anos do Sinjorba.
A Semana do Jornalista será encerrada com uma oficina sobre Empreendedorismo, organizada pelo Sebrae e que ocorrerá no dia 14. A intenção é orientar a categoria como abrir empresas de jornalismo, já que hoje o mercado tem empurrado os jornalistas para a condição de PJs.

Exercício da democracia
Em São Paulo, o Dia do Jornalista foi marcado por uma assembléia geral. Segundo a entidades, mais de 150 associados estiveram presentes na assembléia que aprovou quatro alterações no estatuto do Sindicato, todas referentes ao processo eleitoral da entidade, que passarão a valer já na próxima eleição, prevista para abril do próximo ano.
Entre as mudanças estão: a redução de cinco para três no número de diretores inscritos nas chapas; a composição da Comissão Eleitoral a partir do resultado da votação de chapas apresentadas na assembléia, desde que cada uma delas consiga, no mínimo, 10% dos votos válidos e o fornecimento de lista de associados aptos a votar na eleição.

Congresso Estadual
A diretoria do Sindicato dos jornalistas do Estado de São Paulo está agendando, tanto na Capital quanto no Interior e Litoral, uma série de plenárias para as discussões de teses e escolha dos delegados ao 12º Congresso Estadual dos Jornalistas, que acontece nos dias 30, 31 de maio e 1º de junho. Esta edição do Congresso Estadual será em São José do Rio Preto e conta com o apoio da Prefeitura daquele município e da FENAJ. As inscrições para os demais interessados - que arcarão com suas despesas de estadia e alimentação - vão até o dia 21/05. Informações e inscrições pelo telefone (11) 3217-6298 ou e-mail congresso.estadual@sjsp.org.br

Tendências do Jornalismo Online
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul promove no dia 10 de maio o seminário 'Tendências do Jornalismo Online', das 13h30min às 17h. No plenarinho da Assembléia Legislativa do RS, em Porto Alegre, vão estar nomes como Pedro Dias Lopes, editor-chefe da ZeroHora.com, Mary Silva, editora-executiva do portal Ziptop / JornalNHOnline, Telmo Flor, editor-chefe do site do Correio do Povo e chefe de redação da versão impressa, e Sérgio Lagranha, editor-chefe do site e jornal Diário Popular, de Pelotas.
O investimento é de R$ 10 para estudantes não-sindicalizados, R$ 30 para público em geral, e gratuito para estudantes e jornalistas sindicalizados, em dia com as mensalidades. Informações: 51-3226-0664.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Dia do Jornalista

Hoje, 7 de abril, é dia do Jornalista. Com tantas limitações, ainda há motivos para se comemorar. Mesmo com baixos salários, precárias condições de trabalho, legislação atrasada e bastidores politicamente incorretos, a imprensa brasileira agradece àqueles que lutam por fazer o melhor de suas profissões. Aqueles heróis diários que batalham por seu espaço. Aqueles que tentam fazer um trabalho ético e amam sua função.
Parabéns, jornalista!





Em Defesa da democracia

Hoje, também é comemorado o centenário da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Criada no dia 7 de abril de 1808 para assegurar os direitos dos jornalistas, a associação foi uma entidade de classe que fez história no País. Seu idealizador foi o jornalista Gustavo de Lacerda, que não aceitava a idéia de que jornais fossem empresas. Para ele, esses veículos deveriam ter cunho social e funcionar por meio do cooperativismo, em que todos saíssem ganhando, desde a cúpula ao trabalhador mais simples.
Durante a Ditadura Militar no Brasil, a ABI foi sinônimo de oposição a esse regime. Lutou com todas as forças pela democracia e pela liberdade de expressão. Nessa época, não só os civis tinham seus direitos cerceados como os meios de comunicação sofriam severa censura. A perseguição contra jornalistas era cerrada. Parecia o Império, quando escritores e jornalistas abolicionistas eram combatidos e presos.
Contra os ataques à imprensa, a ABI fez um trabalho de bastidores, intercedendo às autoridades pela libertação de jornalistas presos e por meio de manifestações públicas contra qualquer ato de censura.
Em outros momentos políticos do Brasil, a imprensa foi censurada. Anos antes da ditadura, no governo de Arthur Bernardes, em 1922, a liberdade de expressão foi atacada. No ano seguinte, Barbosa Lima Sobrinho lançava o livro O problema da imprensa, um dos principais manifestos pela liberdade de expressão no Brasil. Três anos depois, assumia pela primeira vez a presidência da ABI.
A ABI esteve presente em outros acontecimentos importantes do país como na campanha "O petróleo é nosso", no fim dos anos 1940, que culminou na criação da Petrobras, em 1953.
Ainda na ditadura, em 1975, promoveu um ato em homenagem ao jornalista Vladimir Herzog, morto nas dependências do DOI-Codi, em São Paulo. Participou das campanhas pela anistia, pelo fim da Lei da Segurança Nacional, pelas eleições diretas e pela convocação da Assembléia Nacional Constituinte.
Quando a ditadura de Getúlio sucumbiu à abertura política e aos direitos civis, a ABI desempenhou um papel importante na campanha pelas Diretas Já. Somente no governo Collor, a imprensa teve passe livre para fazer seu trabalho. Tanto que investigou e denunciou as irregularidades, cuja confirmação resultou na renúncia do presidente para escapar do impeachment.
Ainda hoje, a ABI luta pela democracia, até mesmo em governos considerados democráticos como o de Lula. Em 2004, a entidade foi contra a criação do Conselho Federal de Jornalismo, proposto pelo governo. A associação considerou essa proposta como um ataque à liberdade de imprensa desde os governos militares e se mobilizou fortemente. Resultado: o governo desistiu do projeto.
A ABI nos mostra ao longo da história política do País que sem união e princípios verdadeiros não se consegue lutar pela liberdade de expressão. Foi graças a manifestações e perseverança em uma causa, que muitas vidas foram salvas no período da ditadura e nossa imprensa, hoje, tem a liberdade de se expressar e exercer o seu trabalho. Por pior que sejam as condições de trabalho e exista o sensacionalismo e a mercantilização da notícia, ainda é possível fazer um trabalho honesto no Brasil.

terça-feira, 4 de março de 2008

Curtas do jornalismo

Seminário
Começa amanhã, dia 5, o período de inscrições para o I Seminário Nacional sobre Conhecimento do Jornalismo e II Seminário do Programa Nacional de Estímulo à Qualidade do Ensino de Jornalismo e do Estágio Acadêmico, que acontecem de 27 a 30 de março, em Florianópolis.
Leia mais no site do sindicato dos jornalistas de São Paulo
http://www.jornalistasp.org.br/

Dia da mulher
Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, as revistas Claudia, Nova, Elle, Estilo e Bons Fluidos, da Editora Abril, lançam a terceira edição do projeto "Mulheres do Brasil", que compreende um evento, um suplemento especial e um hotsite.
O evento acontecerá no dia 7 de março, em São Paulo. Convidados e uma platéia de aproximadamente 400 pessoas vão debater o tema "O Avesso da Mulher Nota 10".
Leias mais em: http://portalimprensa.uol.com.br/

Congresso jornalismo investigativo
Será realizado entre os dias 8 e 10 de maio na UNI-BH, em Belo Horizonte, o 3º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo. O evento terá cerca de cem palestrantes, entre convidados da Inglaterra, Estados Unidos, América Latina e dos principais veículos de comunicação brasileiros. Leia mais no : http://www.abraji.org.br/

Congresso empresarial
Será realizada entre os dias 3 e 5 de maio, em São Paulo, a nona edição do Congresso Brasileiro de Jornalismo Empresarial, Assessoria de Imprensa e Relações Públicas. O tema do evento será a Comunicação Corporativa e a Empresa do Futuro – mapas da estrada.” Serão realizadas 7 conferências magnas, 28 palestras temáticas, 10 workshops, 4 visitas guiadas às redações da Central Globo de Jornalismo, dos jornais Folha de S. Paulo e Valor Econômico e da Editora Abril, 4 visitas culturais e a Feira de Comunicação Empresarial.
Leia mais em: http://www.jornalistasp.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=531&Itemid=2

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

ABI completa um centário em abril

Há cem anos nascia a Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Com a proposta de lutar pelos direitos dos profissionais de imprensa, a ABI fez parte da história brasileira. Defendeu a liberdade de informação, os direitos humanos, lutou contra a ditadura.

Nos anos 50, se viu dividida pela opinião de dois líderes jornalistas de idéias completamente diferentes: Pedro Mota Lima, importante membro da equipe de direção do diá­rio comunista Imprensa Popular, e Carlos Lacerda, que ascendia a líder da direita no país e combatia a ditadura do presidente Getúlio Vargas.

Na década de 70, a sede da ABI sofreu um atentado anônimo em represália à postura da entidade em defender os direitos humanos e a liberdade de expressão. Essa luta se intensificou a partir do assassinato do jornalista Vladimir Herzog nas masmorras do Doi-Codi do II Exército, em São Paulo, em outubro de 1975".

A Associação participou ativamente dos principais momentos da história brasileira, como na campanha "O petróleo é nosso", sediando as reuniões anteriores à Lei de 1953, que instituiu a Petrobras. Durante os dois regimes ditatoriais, além da colaboração com o Sindicato, a ABI também intermediou a soltura de jornalistas presos e ajudou outros a retornar do exílio antes de serem anistiados.

Leia a matéria com o presidente da ABI desde 2004, Maurício Azêdo. http://portaldacomunicacao.uol.com.br/textos.asp?codigo=20600