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quarta-feira, 15 de outubro de 2008

A tal da experiência...




Todos nós queremos nosso lugar ao sol no mercado de trabalho, mas na maioria das vezes, nos esbarramos no quesito experiência. Empresas e contratantes diversos não conhecem outra palavra. É preciso experiência até mesmo para conseguir o primeiro emprego. Como então, adquirir experiência se não há a primeira oportunidade? Infelizmente, a exigência por experiência prévia acontece em todos os ramos de atividade e no jornalismo não é diferente. Imagine quantas pessoas perderam uma grande chance de mostrar sua capacidade e de se destacar no mercado porque o empregador simplesmente não o contratou, alegando “falta de experiência”. Não é por isso que existe o tempo de experiência!!! Quanta incoerência!!
Pior é saber que as empresas contratantes negligenciam as leis trabalhistas. Você sabia que a lei 11644, sancionada pelo Presidente da República e em vigor desde março deste ano, em seu 442º artigo diz literalmente que: “Para fins de contratação, o empregador não exigirá do candidato a emprego comprovação de experiência prévia por tempo superior a 6 (seis) meses no mesmo tipo de atividade.”
E existem empresas aos montes, exigindo, no mínimo um ano de experiência. Há aquelas ainda mais exigentes: pedem até cinco anos de experiência comprovada. Basta ver as descrições das vagas de grandes veículos, por exemplo.
Se o mercado de trabalho está desse jeito, como adquirir experiência se a maioria dos veículos não dá oportunidade? Como saber se você será capaz de continuar em alguma atividade se não tentar?
Como se não bastasse tamanho absurdo, há muitos jornalistas que o aceitam resignadamente. A nossa classe deveria ser uma das primeiras a lutar contra essa situação. Que argumento terá o jornalista ao exigir o cumprimento da lei no exercício da sua função, se é o primeiro a aceitar esse tipo de exigência arbitrária? Enquanto isso, as empresas jornalísticas continuam praticando esse abuso. Não sejamos apáticos e lutemos pelos nossos direitos, os mesmos de qualquer trabalhador brasileiro.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Jornalista sabe ouvir?

Já parou para pensar como os ruídos de comunicação nos atrapalham? Em casa, no trabalho, na rua, em qualquer lugar ou circunstância se não nos comunicarmos bem, isto é, se não conseguirmos nos fazer entender pelo interlocutor (com quem estamos conversando), certamente, teremos problemas. Este é o incômodo ruído na comunicação.
Teorias à parte, comunicação, hoje em dia, é a palavra-chave. Quem não sabe se comunicar, leia-se: se expressar corretamente a ponto de se fazer entender, estará fadado ao fracasso, sobretudo, no mercado de trabalho.
Uma pessoa me disse, certa vez, que um colega seu de trabalho era super comunicativo. Ele tinha presença nas reuniões, era eloqüente e sua maior marca era a persuasão. O discurso era muito bom, mas na prática, os resultados não convenciam.
O tempo passou e sua produtividade não persuadia mais ninguém. Era muito político, amigo de todos, mas se pudesse, esmagaria quem fosse para ocupar um cargo de destaque na empresa. A tal pessoa sabia se comunicar, mas era um mau profissional.
Na verdade, essa pessoa sabia se colocar em público e utilizava a comunicação de maneira egoísta e oportunista. Sem sabedoria alguma. Pois é. Neste processo do "tornar comum", a sabedoria vale ouro. Falar a coisa certa no momento apropriado é fundamental para o sucesso em nossa comunicação diária. O segredo é saber ouvir.
Já reparou que as brigas familiares começam com pequenas discussões em que uma das partes só quer falar e não ouve o outro? No ambiente de trabalho é a mesma coisa. Se apenas um quiser impor seus argumentos e se achar sempre certo, ainda que eloqüente, não saberá ouvir o que seus superiores têm a dizer e fatalmente será demitido. E se não ouvir o colega de trabalho, também será dispensado, pois provou que não trabalhar em grupo.
Ser comunicativo não significa que a pessoa seja flexível. Ao ouvir o outro, nos colocamos no lugar dele e aprendemos com ele. Quando compreendemos o ponto de vista do nosso interlocutor, ainda que descordemos da sua opinião, o respeito à posição dele cria um ambiente favorável. O relacionamento fica positivo, o trabalho rende, conseqüentemente, a comunicação é eficaz.
Costumam dizer que a pessoa que trabalha com comunicação, jornalista em especial, necessariamente, precisa ser extrovertida e comunicativa, leia-se: falante. Esta questão é controversa. Penso que não se trata de falar aleatoriamente, por impulso, mas falar o que realmente importa. Ser um bom ouvinte é essencial para uma boa comunicação.

Logo, para o jornalista saber ouvir é tão importante quanto falar, senão, mais.

Exercite, seja um bom ouvinte!

quarta-feira, 26 de março de 2008

Realidade cruel: jornalista ganha mal


"Jornalistas brasileiros contam com piso salarial de no máximo R$ 2 mil". Ao ler essa manchete no Portal Imprensa pensei: talvez seja engano, não é possível. Essa notícia nunca gostaríamos de veicular. O que muito se comenta é que o profissional da educação ganha mal. Os professores, sim, ganham uma miséria. Assim, pensa o senso comum.

Mas não é apenas essa classe que luta para sobreviver. Ao lado dela, muitas outras tentam se equilbrar. O jornalista também tenta esticar o dinheiro no final do mês. A profissão não é tão glamourosa como muitos imaginam.

A maioria dos profissionais de imprensa discute a questão legal da função como a necessidade de diploma e as condições de trabalho, grande parte, precárias, o que é louvável e bastante pertinente. Não podemos nos esquecer, entretanto, que o debate sobre as questões financeiras merece igual importância.

A luta pela melhoria salarial se faz urgente!

Na matéria, escrita por Marina Dias, no Portal Imprensa, um dos grandes problemas apontados pela maior parte dos sindicatos de jornalistas do Brasil é o baixo piso salarial. O aumento do salário-base fixo é a principal dificuldade. Um levantamento realizado pelo Portal com os presidentes sindicais de todo o País, citado na reportagem, revela a cruel realidade do mercado: os pisos salariais variam entre R$ 1 mil e R$ 2 mil para 5h horas trabalhadas, chegando a um mínimo de R$ 730 em veículos do interior do Espírito Santo.
"Diferentemente do que se imagina, os salários mais baixos pagos para jornalistas estão nas regiões Sul e Sudeste do Brasil", aponta a matéria. "Além dos mínimos do Espírito Santo e Dourados, os Estados de Santa Catarina (R$ 1.050), Rio Grande do Sul (R$ 1.220) e São Paulo (R$ 1.248, para profissionais de Rádio e TV) chegam a um piso máximo de R$ 1,5 mil. "
Há o outro lado da moeda. Segundo a matéria, "os assessores de imprensa podem comemorar, já que, em praticamente todas as regiões, ganham mais que todos os outros tipos de jornalistas, como os de redação, rádio e TV.
Outro dado curioso está no Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco. Com 60 anos de existência, a entidade ainda enfrenta dificuldades financeiras constantes e não possui um piso salarial fixo. Atualmente, existe apenas um "salário-base" no Estado, de R$ 1.330.

A única exceção que sai totalmente fora dos padrões dos pisos de até R$ 2 mil é o município do Rio de Janeiro. Com um salário-base de R$ 3.684 para 5h trabalhadas e de R$ 5.894 para 7h, os jornalistas cariocas são os mais bem pagos do País. "

O que se vê é a falta de linearidade salarial entre as regiões brasileiras e a triste realidade do mercado, que insiste em nos impor um saláro miserável. Os jornalistas como muitos outros profissionais se transformaram em heróis diários, sempre à procura de um complemento para o orçamento. Mas não merecemos esmolas. Somos dignos de um salário justo.



Não aceite migalhas. Amigos jornalistas, se unam e façam a diferença!